Com Selic a 12,5%, parcela de imóvel sobe R$ 640; veja se compensa esperar
Novo Copom elevou juros no fim de julho e já derrubou a demanda por financiamento. Calculamos o impacto real na parcela de um apartamento de R$ 500 mil e o que fazer agora.
O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a Selic para 12,5% ao ano na reunião do fim de julho, o segundo aumento consecutivo no trimestre. O impacto já chegou às prateleiras das imobiliárias: as simulações de crédito habitacional com recursos da poupança subiram, em média, 1,2 ponto percentual nos bancos, segundo levantamento do Banco Central divulgado nesta terça-feira (4).
Para quem estava de olho em um imóvel de R$ 500 mil com entrada de 20%, a parcela inicial saltou de R$ 3.280 para R$ 3.920 em um mês — uma diferença de R$ 640. O cálculo considera o financiamento em 360 meses pela Tabela Price, com taxa efetiva que passou de 11,9% para 13,1% ao ano nos grandes bancos, conforme simulações feitas pelo portal e confirmadas por gerentes de duas instituições.
O mercado já precificava o aperto, mas a velocidade pegou muitos compradores de surpresa. Dados da Abrainc divulgados nesta semana mostram que as vendas de imóveis novos na Grande São Paulo caíram 8% em julho na comparação com junho, e a velocidade de vendas caiu de 18% para 15%. Já o índice FipeZap de preços residenciais, que acompanha 50 cidades, desacelerou para alta de 0,3% em julho, ante 0,6% em maio.
A boa notícia é que o aperto deve ser temporário. A ata do último Copom, divulgada na semana passada, indicou que o ciclo de alta pode ter vida curta, com possível manutenção da taxa na próxima reunião, em setembro, e alívio a partir do primeiro trimestre de 2027. O mercado de juros futuros já precifica Selic em 11,5% daqui a 12 meses.
Para quem pode esperar, a estratégia de segurar a compra por três a seis meses pode significar uma queda de até 0,8 ponto percentual na taxa final, o que representaria uma economia de R$ 120 na parcela de um financiamento de R$ 400 mil. Mas há um risco: a inflação de materiais de construção, que acelerou para 4,2% no acumulado de 12 meses até julho, pode corroer parte do ganho com a alta dos preços dos imóveis.
A alternativa que tem ganhado força no mercado é o financiamento com recursos do FGTS. A Caixa Econômica Federal, que responde por 70% do crédito habitacional do país, anunciou na segunda-feira (3) um pacote de R$ 8 bilhões para a linha Pró-Cotista, com taxas a partir de 8,5% ao ano para quem tem saldo no fundo. Com isso, a parcela de um imóvel de R$ 400 mil pode ficar em R$ 2.850, bem abaixo dos R$ 3.100 cobrados na linha tradicional.
No fim das contas, a decisão depende do seu perfil. Se você tem recursos em caixa e consegue negociar um desconto à vista, a compra pode continuar valendo a pena, especialmente em regiões com alta demanda, como os bairros da Zona Leste de São Paulo e a Baixada Fluminense, onde os preços ainda estão defasados. Já quem depende 100% do financiamento bancário tradicional pode se beneficiar de uma espera estratégica — mas fique de olho nos juros futuros e no FGTS, que podem mudar o jogo.


