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Cidade paga R$ 70 mil para você morar lá; 1.200 vagas abertas

Toledo, no interior de Castela-Mancha, oferece até 70 mil euros e casa por 5 anos para atrair moradores. Inscrições abertas nesta semana e fila já passa de 8 mil pessoas.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Cidade paga R$ 70 mil para você morar lá; 1.200 vagas abertas

Toledo, cidade histórica de 85 mil habitantes a 70 km de Madri, na Espanha, está pagando até 70 mil euros — cerca de R$ 420 mil na cotação desta semana — para quem aceitar se mudar para lá e permanecer por pelo menos cinco anos. O programa municipal 'Raíces 2026', relançado no último dia 8 de setembro, abriu 1.200 vagas para famílias dispostas a trocar a capital ou o litoral pelo interior de Castela-Mancha, e as inscrições seguem abertas até 30 de outubro. A prefeitura confirmou que a fila de pré-cadastros passou de 8.300 pessoas em apenas dez dias.

O valor não é pago em dinheiro vivo: 45 mil euros vão para a compra de um imóvel ou reforma de uma casa já existente no centro histórico, e os outros 25 mil euros são depositados em uma conta bloqueada, liberada em parcelas anuais. Quem sair antes de completar 60 meses devolve proporcionalmente o que recebeu, com correção pelo índice de inflação espanhol. A prefeita Laura Gómez justificou a medida citando o êxodo rural: Toledo perdeu 4,1% da população entre 2021 e 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística da Espanha (INE), e 18% das casas do centro estão fechadas há mais de uma década.

Não é um caso isolado. Na Itália, a região da Calábria renovou neste mês o programa 'Casa Attiva', que paga até 30 mil euros para quem reabre imóveis em vilarejos com menos de 2 mil moradores. Em Portugal, o município de Alcoutim, no Algarve rural, oferece isenção de IMI por 10 anos e 5 mil euros de apoio à instalação. No Japão, a província de Niigata chegou a distribuir casas de madeira por 1 iene simbólico — mas cobra taxa de manutenção anual que pode superar 3 mil dólares. O denominador comum é o mesmo: cidades que encolhem e precisam de gente para manter escola, comércio e arrecadação.

Para quem pensa em investir, a conta é menos romântica do que parece. Em Toledo, o preço médio do metro quadrado gira em torno de 1.150 euros, segundo o portal Idealista — cerca de 40% abaixo de Madri. Um apartamento de 90 m² no centro sai por volta de 105 mil euros. Com o subsídio de 45 mil euros, o desembolso cai para 60 mil — o que, para um investidor brasileiro, pode representar aluguel anual bruto de 6% a 7%, acima da média de 4,5% das capitais espanholas. O problema é a liquidez: vender um imóvel no interior da Espanha leva, em média, 11 meses, contra 3 meses em Madri, segundo a plataforma de dados imobiliários Brainsre.

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Advogados especializados em imigração alertam para as letras miúdas. O benefício exige residência fiscal na Espanha, o que implica declarar rendimentos mundiais ao fisco local e entrar no regime de tributação espanhol, que pode chegar a 47% na faixa mais alta. A permanência mínima de cinco anos também impede que o imóvel seja usado como renda de aluguel de curta temporada nos primeiros 24 meses — regra criada para evitar que o programa vire Airbnb. Além disso, o visto de residência vinculado ao programa não dá direito automático a trabalho por conta de terceiros sem autorização prévia.

Ainda assim, o apetite é grande. Segundo a agência espanhola de consultoria imobiliária Lucas Fox, as buscas de brasileiros por imóveis em Castela-Mancha cresceram 62% entre janeiro e agosto de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Boa parte vem de famílias que já têm cidadania europeia por ancestralidade e buscam um pé de meia em euro longe dos preços de Lisboa, Porto ou Barcelona. É o mesmo movimento que, no Brasil, empurra investidores do eixo Rio-São Paulo para cidades médias do interior — só que com um bônus que nenhuma prefeitura brasileira oferece até hoje.

Para quem quiser tentar, o caminho é o site oficial do programa, que exige comprovação de renda mínima de 1.800 euros mensais por casal, certidão de antecedentes criminais dos dois países e um projeto de instalação aprovado pela câmara municipal. A lista de documentos é longa, o prazo é curto e a concorrência, pelo ritmo dos primeiros dias, será feroz. Toledo não está pagando para qualquer um — está pagando para quem ficar.

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