Boom ou crise? Miami lidera alta de 28% enquanto Lisboa despenca 12% em 2026
Enquanto Miami e Dubai vivem euforia imobiliária com preços recordes, Lisboa e Tóquio enfrentam correções severas. Entenda as forças opostas que redefinem o mercado global neste trimestre.

O mercado imobiliário global vive um momento de contrastes extremos neste terceiro trimestre de 2026. Dados divulgados esta semana pelo FipeZap Global Index mostram que Miami acumula alta de 28% nos preços reais dos imóveis nos últimos 12 meses, impulsionada pela migração de empresas de tecnologia e investidores estrangeiros. Em contrapartida, Lisboa registra queda de 12% no mesmo período, pressionada pelo aperto regulatório e pela saída de nômades digitais.
Em Dubai, o boom persiste: os preços subiram 18% no primeiro semestre de 2026, segundo o Dubai Land Department. A cidade se consolidou como refúgio para milionários asiáticos e europeus, com destaque para o lançamento do megaprojeto Palm Jumeirah 2.0, que esgotou 70% das unidades na pré-venda em junho. A isenção de imposto de renda e a estabilidade política continuam atraindo capital.
Já Tóquio enfrenta a primeira queda anual desde 2021. O índice de preços residenciais do Banco do Japão recuou 5% neste trimestre, reflexo do aumento das taxas de juros locais e do encolhimento da população. A valorização do iene também desestimulou investidores estrangeiros, que respondiam por 30% das compras em áreas nobres como Minato e Shibuya.
Lisboa sofre com o efeito combinado do fim do visto gold para imóveis residenciais (aprovado pelo parlamento português em fevereiro) e da alta de 4 pontos percentuais na taxa de IMI para estrangeiros. A Associação Lisbonense de Imobiliárias reportou queda de 40% no número de transações com não residentes no segundo trimestre de 2026.
Miami, por outro lado, se beneficia da instabilidade política na América Latina e do crescimento do setor de inteligência artificial na Flórida. O preço médio do metro quadrado em South Beach atingiu US$ 18.500, novo recorde histórico. “É um mercado de duas velocidades: o luxo dispara, enquanto o médio padrão patina”, afirma Pedro Almeida, analista da Secovi-SP, em relatório divulgado nesta quarta-feira.
Para quem busca investir no exterior, a dica dos especialistas é evitar compras emocionais. “Não entre em Miami achando que vai repetir o ganho de 2025; o ciclo pode estar perto do topo. E não fuja de Lisboa: a correção já criou oportunidades em bairros como Alcântara e Marvila”, recomenda Gabriela Torres, economista-chefe da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), em entrevista à Perspectiva Imobiliária.
A lição do trimestre: diversificação geográfica nunca foi tão crucial. Enquanto uma cidade explode, outra pode estar prestes a virar o jogo. O investidor que acompanha as tendências globais com dados recentes — e não com achismos — sai na frente.


