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Boom imobiliário global: preços sobem até 24% em 2026; veja riscos

Lisboa, Miami, Dubai e Tóquio têm alta de até 24% no metro quadrado neste semestre. Mas estouro de bolha se aproxima? Leia antes de investir.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Boom imobiliário global: preços sobem até 24% em 2026; veja riscos

O mercado imobiliário global vive um momento de euforia em 2026, com algumas das principais cidades do mundo registrando altas expressivas nos preços. Dados divulgados nesta semana pelo índice global Knight Frank mostram que, no segundo trimestre de 2026, Lisboa liderou com valorização de 24% no metro quadrado em relação ao mesmo período de 2025. Miami e Dubai seguem com altas de 18% e 16%, respectivamente, enquanto Tóquio apresenta avanço mais moderado, de 9%.

A alta é impulsionada por uma combinação de fatores: juros baixos nos Estados Unidos e na zona do euro desde o início do ano, forte demanda de investidores estrangeiros em busca de segurança e a retomada do turismo pós-pandemia, que nunca foi tão forte. "O capital global está migrando para ativos reais, e as cidades que oferecem liquidez e estabilidade política são as mais procuradas", afirma Carlos Castro, analista da consultoria imobiliária Newmark, em relatório divulgado nesta semana.

No entanto, por trás do boom, crescem os alertas de bolha. O Bank for International Settlements (BIS) publicou neste mês um estudo apontando que, em Lisboa e Miami, os preços dos imóveis estão até 30% acima do nível considerado sustentável pela renda das famílias locais. "A valorização é real, mas o ritmo atual lembra os ciclos vividos em 2007 e 2013, que terminaram em fortes correções", alerta a economista-chefe do BIS, Ana Beatriz Oliveira, em evento realizado na segunda-feira (31).

Para o investidor brasileiro, o cenário exige cautela. Enquanto Dubai ainda oferece oportunidades de rendimento com aluguel de 7% ao ano, Lisboa já mostra sinais de desaceleração nas vendas — a procura por imóveis de alto padrão caiu 13% no último trimestre, segundo dados da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores (APPII). "Quem entrou no mercado londrino em 2024 já viu o ativo dobrar de valor, mas a janela de entrada agora é para quem tem perfil de longo prazo e tolerância a oscilação", completa o consultor de investimentos Paulo Henrique, da Criteria.

A tendência global é de diversificação. Fundos soberanos e grandes players, como o GIC de Singapura e a Blackstone, estão migrando parte de suas carteiras para cidades secundárias em cada país — no Brasil, por exemplo, os olhos se voltam a Florianópolis e Goiânia, que tiveram alta de 12% e 10% no primeiro semestre, segundo o índice FipeZap divulgado nesta quarta-feira (02).

Para o pequeno investidor, a recomendação é clara: evite comprar no pico da euforia. "Se o número de grãos de soja vendidos em Miami superar o de apartamentos, é hora de parar e reavaliar", brinca o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, em entrevista à Reuters nesta terça-feira. Em vez de seguir o rebanho, busque ativos com fluxo de caixa consistente e descontos reais, como imóveis em bairros periféricos de Tóquio, que ainda negociam a preços 20% menores que os do centro.

A mensagem central desta semana: a cidade global com boom imobiliário pode ser uma armadilha para quem chega atrasado. Antes de embarcar, estude o mercado local, calcule o rendimento real e, principalmente, não acredite em promessas de valorização infinita. O próximo trimestre será decisivo para mostrar se a alta se sustenta ou se inicia a correção que muitos economistas já preveem.

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