Batalha bilionária: inventário da família Safra chega a R$ 85 bi e gera briga na Justiça
Disputa entre herdeiros da dinastia bancária se arrasta há anos, mas nesta semana um novo laudo revelou valores que podem mudar o rumo do caso — e os impostos envolvidos.

A briga pela herança da família Safra, uma das mais ricas do país, ganhou um novo capítulo nesta semana, com a divulgação de um laudo pericial que estima o patrimônio em R$ 85 bilhões. O valor, atualizado para 2026, é 12% maior do que o calculado no ano passado, puxado pela valorização de participações em bancos e imóveis de luxo em São Paulo e Nova York.
O inventário, que tramita em segredo de Justiça na capital paulista, envolve os filhos do patriarca Joseph Safra, falecido em 2020. Os herdeiros discordam sobre a avaliação de ativos como o edifício-sede do Banco Safra, na Avenida Paulista, e uma coleção de obras de arte avaliada em R$ 2,3 bilhões. Uma das partes alega que o laudo subestima o valor de mercado, enquanto outra defende a venda imediata de alguns imóveis para pagar o ITCMD, imposto estadual que neste caso pode chegar a R$ 3,4 bilhões.
Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que disputas como essa são comuns em grandes fortunas, mas raramente chegam a esse nível. "Quando o patrimônio é pulverizado em holdings e offshores, a briga não é sobre o valor total, mas sobre quem controla cada ativo", afirma a advogada Maria Fernanda Ribeiro, do escritório Velloza Advogados. Ela lembra que, no trimestre atual, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou um aumento de 20% no número de inventários judiciais acima de R$ 100 milhões, reflexo do endurecimento do fisco sobre declarações de bens no exterior.
Enquanto a Justiça não decide, os herdeiros seguem administrando os negócios em conjunto, mas a tensão é evidente. Em agosto, uma assembleia extraordinária terminou sem acordo sobre a venda de um prédio comercial no Faria Lima, avaliado em R$ 1,8 bilhão. A especulação é que um dos irmãos quer usar o dinheiro para expandir um fundo imobiliário próprio, enquanto outro prefere manter o ativo gerando renda.
Para o mercado, o caso serve de alerta sobre a importância do planejamento sucessório. Dados da Abrainc mostram que, em 2025, 34% dos patrimônios imobiliários acima de R$ 10 milhões não tinham testamento atualizado. "A falta de um plano claro pode transformar um legado em um campo de batalha que dura anos e corrói o valor dos bens", diz o consultor financeiro Carlos Albuquerque, que acompanha grandes inventários.
O desfecho, porém, ainda está longe. Os advogados das partes já sinalizaram que devem recorrer de qualquer decisão sobre o laudo, e a expectativa é que o caso só termine em 2028. Enquanto isso, o patrimônio bilionário segue rendendo dividendos, mas também alimentando uma das disputas mais caras da história do direito sucessório brasileiro.


