Balneário Camboriú: lançamentos somam R$ 1,8 bi e metro quadrado bate R$ 22 mil
Em apenas um mês, a cidade catarinense registrou 18 novos empreendimentos, com unidades de até R$ 12 milhões. Especialistas apontam corrida por terrenos e pressão nos preços.

Balneário Camboriú vive um setembro de euforia no mercado imobiliário. Levantamento exclusivo da Perspectiva Imobiliária com base em dados da Secovi-SC e da prefeitura mostra que 18 novos lançamentos foram registrados na cidade só neste mês, somando Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,8 bilhão. O metro quadrado médio nos novos projetos atingiu R$ 22 mil, alta de 18% em relação a setembro do ano passado.
O movimento é puxado por torres de alto padrão na região da Barra Sul e no bairro Pioneiros, onde unidades de três suítes com vista para o mar chegam a R$ 12 milhões. A demanda vem de compradores de São Paulo, Rio Grande do Sul e até do exterior, que buscam o litoral catarinense como refúgio e investimento. "A cidade virou um polo de renda alta. Quem comprou há cinco anos viu o valor do imóvel dobrar", afirma Marcelo Corrêa, diretor da Secovi-SC.
O ritmo acelerado de lançamentos tem efeito colateral: a escassez de terrenos disponíveis na orla. Segundo a prefeitura, restam apenas 12% de áreas edificáveis na faixa litorânea, o que empurra incorporadoras para bairros mais afastados, como Nações e Ariribá. Lá, o metro quadrado ainda gira em torno de R$ 14 mil, mas a valorização anual já supera 20%.
No Rio de Janeiro, o cenário é diferente. O mercado carioca registrou 9 lançamentos residenciais neste mês, concentrados na Zona Sul e Barra da Tijuca, com VGV total de R$ 980 milhões, segundo a Abrainc. O metro quadrado médio na Zona Sul alcançou R$ 18,5 mil, enquanto na Barra ficou em R$ 12,3 mil. A diferença reflete a preferência por bairros consolidados, como Leblon e Ipanema, onde a oferta é mínima.
Em São Paulo, a situação é de estabilidade nos preços, mas com aumento na quantidade de unidades lançadas. O Fipezap de agosto apontou alta de 0,6% no mês, a menor variação desde janeiro. Ainda assim, bairros como Vila Olímpia e Itaim Bibi seguem com metro quadrado acima de R$ 20 mil, e incorporadoras apostam em studios compactos para investidores.
Para o investidor, a recomendação é cautela. A Selic a 9,75% ao ano, após o último Copom, mantém o custo do financiamento elevado, mas a expectativa de queda gradual no segundo semestre de 2027 anima o setor. "Quem entra agora em Balneário Camboriú precisa estar ciente de que o ciclo de valorização intensa pode desacelerar. O importante é escolher bem a localização e o produto", alerta Corrêa.
Enquanto isso, a prefeitura de Balneário Camboriú estuda novas regras de ocupação do solo para conter o adensamento excessivo. Um projeto de lei deve ser enviado à Câmara em outubro, o que pode impactar lançamentos futuros. Até lá, incorporadoras correm para aprovar projetos e garantir espaço na cidade que não para de crescer.


