Análise

Bairros que mais valorizaram em julho: veja o ranking das capitais

Levantamento do FipeZap mostra alta de até 4,8% no mês em áreas de renda média, impulsionada por crédito mais barato e migração de investidores para o interior das capitais.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Bairros que mais valorizaram em julho: veja o ranking das capitais

O mercado imobiliário brasileiro começa agosto com um sinal claro de que a valorização não é mais privilégio dos bairros nobres. Levantamento do FipeZap, divulgado nesta terça-feira (4), aponta que os cinco bairros com maior alta no preço do metro quadrado em julho concentram-se em capitais como São Paulo, Recife e Goiânia, com variações entre 3,2% e 4,8% no mês. O destaque fica para a Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, que registrou alta de 4,8%, puxada pela chegada de novas linhas de transporte e pela oferta limitada de imóveis.

O movimento não é pontual. Segundo o economista Pedro Tenório, da consultoria DataZAP, a tendência estrutural é de migração da demanda para bairros de renda média, onde o preço do m² ainda está abaixo da média das regiões centrais. "Com a Selic em 10,5% ao ano, a queda dos juros tornou o financiamento mais atrativo, e o comprador passou a buscar áreas com potencial de valorização a médio prazo, como a Vila Leopoldina, em SP, e o Setor Bueno, em Goiânia, que subiu 3,9% no mês", explica.

No Recife, o bairro de Boa Viagem, tradicionalmente procurado por turistas, viu os preços avançarem 3,4% em julho, impulsionado por lançamentos de alto padrão e pela recuperação do turismo. Já em Porto Alegre, o bairro Petrópolis apresentou alta de 3,1%, reflexo da retomada de obras paralisadas desde a enchente de 2024 e do interesse de investidores de outros estados.

Os dados do FipeZap também indicam que a valorização está atrelada a melhorias de infraestrutura. Na Vila Leopoldina, a inauguração do terminal de ônibus e a promessa de extensão da Linha 4-Amarela do metrô até 2028 têm atraído incorporadoras. "O preço do m² na região subiu de R$ 8,5 mil para R$ 9,2 mil em doze meses, uma variação de 8,2%, acima da média nacional", afirma Tenório.

Para o investidor, o momento exige cautela. O analista da Brain Inteligência Estratégica, Felipe Castro, recomenda observar a liquidez do bairro antes de comprar. "Bairros em valorização rápida podem sofrer correção quando a oferta de novos empreendimentos superar a demanda. O ideal é buscar regiões com estoque baixo e renda crescente, como o Setor Bueno, em Goiânia, que tem absorção de 92% dos lançamentos."

A tendência deve se manter no segundo semestre, principalmente se o Banco Central confirmar novo corte de 0,5 ponto percentual na Selic no Copom de setembro, como indica o boletim Focus. Com juros menores, a tendência é que a valorização se espalhe para bairros periféricos das capitais, especialmente aqueles com acesso a corredores de transporte. "O investidor que olhar para o médio prazo pode encontrar boas oportunidades em bairros como a Vila Mariana, em SP, e o Cabula, em Salvador, que ainda não refletiram totalmente o potencial de infraestrutura", conclui Tenório.

Para quem deseja aproveitar o momento, a recomendação é monitorar os dados de preço por m² e a liquidez dos imóveis, além de considerar os custos de manutenção e vacância. A valorização não é linear, e bairros que hoje lideram o ranking podem perder fôlego quando a oferta aumentar. Diversificar entre regiões e segmentos segue sendo a estratégia mais prudente.

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