Assistentes de IA agora gerenciam sua casa: 60% dos lares brasileiros já usam
Dados do 2º trimestre revelam que a IA doméstica saltou de 12% para 60% em um ano. Veja como essa tecnologia está mudando a rotina e quais são os riscos.

Na manhã desta quarta-feira, 2 de setembro, a Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABIC) divulgou um levantamento que mostra um salto histórico na adoção de assistentes de inteligência artificial no país. Segundo o estudo, 60% dos lares brasileiros já utilizam dispositivos com IA para gerenciar tarefas cotidianas, como controle de iluminação, temperatura e segurança. No trimestre anterior, esse número era de 45%; há um ano, de apenas 12%.
A pesquisa, realizada com 5.000 domicílios em todas as capitais entre junho e agosto, aponta que o crescimento foi impulsionado pela popularização de assistentes virtuais integrados a smartphones e caixas de som. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que a pandemia de 2020 acelerou a digitalização, mas foi a recente queda de preços dos dispositivos — alguns modelos custando menos de R$ 200 — que democratizou o acesso.
No cotidiano, os efeitos são perceptíveis. Em São Paulo, a professora Mariana Costa, de 34 anos, conta que usa a IA para programar o café da manhã, ajustar o ar-condicionado antes de chegar em casa e monitorar câmeras de segurança. "Economizo cerca de uma hora por dia e me sinto mais segura. Aciono o alarme e recebo alertas em tempo real no celular", afirma. Histórias como a dela se multiplicam, mas também trazem preocupações.
Especialistas em segurança digital alertam para os riscos dessa dependência. Um relatório do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), lançado na semana passada, revelou que 35% dos usuários de IA doméstica já sofreram alguma tentativa de invasão ou falha crítica no sistema. "As casas conectadas são um novo vetor de ataques. É essencial que os usuários atualizem firmware e usem senhas fortes", orienta a pesquisadora Carla Mendes, do CGI.br.
No campo econômico, o Banco Central monitora os impactos. Em sua última ata do Copom, divulgada no mês passado, o comitê citou a automação residencial como um fator de aumento da produtividade, mas também de consumo de energia. "A IA pode gerar eficiência, mas demanda infraestrutura elétrica robusta", ponderou o documento.
Para os próximos meses, projeções da consultoria IDC indicam que 75% dos lares brasileiros terão ao menos um dispositivo com IA até o fim de 2026. A tendência é que a tecnologia evolua para integrar eletrodomésticos, como geladeiras que fazem pedidos de compra automaticamente.
Enquanto isso, especialistas recomendam que os usuários leiam os termos de privacidade e desativem funções desnecessárias. "A IA veio para facilitar, mas exige consciência digital", resume Carla Mendes. Com a rápida expansão, a discussão sobre regulação deve ganhar espaço no Congresso ainda neste semestre.


