As 10 cidades com maior alta imobiliária no trimestre: até 9,4%
Levantamento obtido com exclusividade revela as 10 cidades onde o metro quadrado mais subiu entre junho e agosto. Uma capital do Nordeste lidera com alta de 9,4%. Veja se a sua está na lista.

Um levantamento inédito da Abrainc com base em dados de 157 cidades brasileiras, divulgado nesta terça-feira (3), mostra que o preço médio do metro quadrado residencial subiu 2,8% no trimestre encerrado em agosto. Mas o recorte por município revela disparidades que chegam a 9,4% de valorização em apenas 90 dias.
A cidade que lidera o ranking é Fortaleza (CE), com alta de 9,4% no metro quadrado entre junho e agosto. O avanço foi puxado por lançamentos de alto padrão nos bairros Meireles e Aldeota, além do início das obras do VLT Parangaba-Mucuripe, que deve ser entregue no primeiro semestre de 2027. O preço médio na capital cearense passou de R$ 8.412 para R$ 9.203 no período.
Em segundo lugar aparece Joinville (SC), com alta de 8,1%, impulsionada pela chegada de duas novas unidades da montadora chinesa BYD e pelo anúncio de expansão da Embraer. O metro quadrado na cidade catarinense custa, em média, R$ 7.890. Goiânia (GO) completa o pódio com 7,6% de valorização, reflexo da transferência de 3.200 servidores federais para a capital goiana, confirmada no mês passado pelo Ministério da Gestão.
Na contramão, São Paulo e Rio de Janeiro registraram altas tímidas de 1,2% e 0,9%, respectivamente, no mesmo período. Segundo o Índice FipeZap, o metro quadrado paulistano fechou agosto em R$ 12.450, enquanto o carioca ficou em R$ 11.870. Especialistas ouvidos pela reportagem atribuem o desempenho fraco à alta dos juros: o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano na última reunião de agosto, o que encareceu o crédito imobiliário e desacelerou a demanda nas capitais mais caras.
Entre as capitais do Sudeste, apenas Vitória (ES) figurou no top 10, com alta de 4,9%, beneficiada pelo pré-sal e pela construção de novos empreendimentos na região de Camburi. Já no Sul, Curitiba (PR) avançou 3,8%, puxada pela chegada de tech hubs e pelo programa de incentivo fiscal a moradias populares lançado em julho.
A pesquisa também revela que cidades médias do interior, como Sorriso (MT), com alta de 6,3%, e Rio Verde (GO), com 5,7%, estão superando as metrópoles em valorização. Com a safra recorde de grãos e o agronegócio aquecido, essas praças atraem cada vez mais fundos imobiliários, que enxergam rentabilidade de aluguel acima de 7% ao ano — bem mais que o CDI atual, de 8,2%.
Para o economista-chefe da Secovi-SP, Pedro Tenório, o movimento é cíclico. "Enquanto a Selic seguir em dois dígitos, o investidor vai buscar cidades com renda crescente e estoque baixo. Fortaleza e Joinville são exemplos claros", afirma. Ele recomenda que o investidor observe o prazo de retorno e a liquidez do imóvel antes de comprar — valorização passada não garante retorno futuro, mas acompanhar o fluxo de empregos e obras de infraestrutura é o melhor termômetro.
Com a expectativa de novos cortes na Selic a partir de outubro, os analistas projetam que o segundo semestre de 2027 concentre uma onda de reajustes nas capitais que ficaram para trás. Até lá, a dica é: se você comprou um imóvel em Fortaleza ou Joinville no início do ano, seu patrimônio já rendeu mais que a poupança e o CDI. Se ainda não comprou, talvez valha a pena olhar os preços antes que o próximo boletim do Banco Central mude o jogo de novo.
*Matéria atualizada às 15h com dados da pesquisa da Abrainc e comentários de analistas da Secovi-SP e do FipeZap.*


