Apartamento de R$ 1 bilhão em SP: o recorde mundial que virou notícia nesta semana
Cobertura duplex no Jardim Europa foi avaliada em US$ 185 milhões e entra para o top 5 dos imóveis mais caros do planeta; corretores falam em 'mercado de outro nível'.

Uma cobertura duplex de 1.870 m² no Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo, foi avaliada em R$ 1,02 bilhão (cerca de US$ 185 milhões) nesta semana, segundo apuração do Secovi-SP com exclusividade para a Perspectiva Imobiliária. O valor coloca o imóvel no top 5 do ranking mundial de residências mais caras, empatado com uma mansão em Bel Air, nos Estados Unidos, e atrás apenas de uma propriedade em Hong Kong avaliada em US$ 210 milhões.
O anúncio, assinado por uma family office sediada em Zurique, reacende o debate sobre o teto do mercado de luxo brasileiro. Em janeiro deste ano, o recorde nacional pertencia a uma casa em Angra dos Reis, negociada por R$ 340 milhões. O salto de quase 200% em oito meses surpreendeu até corretores experientes. 'Nunca vi nada parecido em 25 anos de mercado', diz Roberto Vilela, diretor de luxo da Lopes, que assessora a operação.
O imóvel tem 12 suítes, heliponto próprio, adega climatizada para 8 mil garrafas e um sistema de segurança com reconhecimento facial avaliado em R$ 4,2 milhões. O condomínio, fechado desde 2022, tem apenas quatro residências e nunca havia colocado uma unidade à venda. A avaliação foi feita com base em laudo da FipeZap de agosto, que apontou valorização de 18,7% no metro quadrado do Jardim Europa no acumulado de 12 meses — o maior avanço entre os 50 bairros monitorados.
O movimento não é isolado. Dados da Abrainc divulgados no último dia 5 mostram que o segmento de alto padrão (acima de R$ 5 milhões) cresceu 34% em lançamentos no trimestre atual, puxado por compradores estrangeiros e por brasileiros que repatriaram capital após a estabilidade cambial. A Anbima estima que R$ 22 bilhões em recursos de family offices estejam parados à espera de ativos reais — e o tijolo virou prioridade.
Especialistas alertam, porém, para o efeito colateral. 'Esse tipo de avaliação distorce a percepção do mercado e pode estimular lançamentos superdimensionados em bairros que não sustentam esse patamar', avalia Cláudia Yoshino, pesquisadora do Instituto de Estudos Imobiliários da USP. Segundo ela, o metro quadrado do Jardim Europa já é 6,3 vezes o da média paulistana.
Procurada, a family office não comentou se o imóvel será vendido ou apenas usado como garantia de operação financeira. Corretores ouvidos pela reportagem afirmam que há pelo menos três interessados — um fundo soberano do Oriente Médio, um empresário do agronegócio e um colecionador de arte europeu. A disputa, se confirmada, pode elevar ainda mais o recorde até o fim do ano.


