Aluguel por temporada sobe 23% no 2º tri de 2026, puxado por Nordeste e classe A
Com Selic a 14,25% e IPCA-15 a 5,4%, locação de curto prazo se consolida como hedge inflacionário. Dados do Secovi-SP e FipeZap mostram diárias mais caras em Fortaleza e Maceió.

A locação por temporada no Brasil registrou alta nominal de 23% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento do Secovi-SP divulgado nesta quinta-feira (23). O avanço é puxado pelo Nordeste, que concentra 41% dos contratos ativos em plataformas digitais, e por imóveis de alto padrão (classe A), cujo ticket médio diário subiu 31%, para R$ 1.247.
O índice FipeZap de Locação por Temporada, atualizado na última segunda-feira (20), aponta que as diárias médias no Brasil fecharam junho em R$ 412, contra R$ 335 um ano antes. As capitais com maior valorização no trimestre foram Fortaleza (alta de 34%), Maceió (29%) e Florianópolis (22%). Em São Paulo, o aumento foi de 14%, influenciado pela volta de eventos corporativos e feiras internacionais.
Especialistas atribuem o movimento a dois fatores macroeconômicos: a taxa Selic, mantida em 14,25% na última reunião do Copom (18 e 19 de junho), que encarece o crédito imobiliário e empurra investidores para ativos reais; e o IPCA-15 de julho, que marcou 5,4% ao ano, pressionando a inflação de serviços e tornando a locação de curto prazo um hedge natural. Dados da Anbima mostram que fundos imobiliários de tijolo com exposição a temporada captaram R$ 1,2 bilhão no primeiro semestre de 2026 — 40% a mais que no mesmo período de 2025.
O perfil do locatário também mudou. De acordo com relatório da Abrainc, 62% dos contratos de temporada em 2026 são feitos por brasileiros — ante 48% em 2024 —, reflexo da retomada do turismo doméstico e do câmbio desfavorável para viagens internacionais. O ticket médio de locação por temporada para brasileiros cresceu 18% no trimestre, enquanto o de estrangeiros caiu 5% em dólar.
“A locação por temporada deixou de ser apenas alternativa de lazer para se tornar estratégia de investimento”, afirma economista do Secovi-SP. “Com a renda fixa ainda muito atrativa, o mercado de temporada atrai quem busca retorno acima da inflação e diversificação.” A perspectiva para o segundo semestre é de continuidade, especialmente com a alta temporada de verão e eventos como a Bienal do Livro em São Paulo e o Rock in Rio, em setembro.
Para quem avalia investir no segmento, a recomendação é focar em imóveis bem localizados em cidades com demanda consolidada e evitar áreas com excesso de oferta. O dado do Banco Central desta semana mostra que o crédito para compra de imóveis residenciais caiu 7% no trimestre, o que pode reduzir a oferta futura de novos apartamentos e sustentar diárias elevadas. A conclusão dos analistas: o aluguel por temporada segue como uma das classes mais resilientes de ativo imobiliário em 2026.

