Aluguel por temporada no Brasil: o que explica a corrida por imóveis em 2026
Com taxa de ocupação recorde nas capitais e retorno líquido acima do aluguel tradicional, o mercado de temporada atrai novos investidores. Dados do Secovi-SP apontam alta de 18% na procura por imóveis prontos para locação de curto prazo.

O mercado de aluguel por temporada no Brasil vive um momento de inflexão. Dados da plataforma Airbnb mostram que, no primeiro semestre de 2026, o número de reservas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis cresceu 22% em relação ao mesmo período de 2025. O movimento não é sazonal: a ocupação média em julho de 2026 atingiu 78%, a maior da série histórica, segundo relatório do Secovi-SP.
Por trás desse aquecimento, há uma mudança no comportamento do locatário. Com o avanço do trabalho híbrido, profissionais de renda média e alta passaram a alugar imóveis por temporadas de 15 a 60 dias, combinando lazer e home office. O perfil “nômade digital” já responde por 35% das diárias em bairros como Pinheiros (SP) e Ipanema (RJ), de acordo com pesquisa da Abrainc.
Para o investidor, a conta fecha. Enquanto o aluguel tradicional rende, em média, 0,4% ao mês sobre o valor do imóvel, a locação por temporada pode entregar de 0,8% a 1,5% mensais, descontadas taxas de administração e custos de manutenção. “O retorno é maior, mas exige gestão ativa e imóvel bem localizado, com menos de 70 m²”, afirma consultor imobiliário ouvido pela Tese Imobiliária.
As cidades médias do interior também surfam a tendência. Em Campinas e Ribeirão Preto, a oferta de imóveis para temporada cresceu 40% em 2026, impulsionada por eventos corporativos e feiras de negócios. Já no litoral, a preferência por casas com piscina e área gourmet elevou o preço do aluguel em 25% na alta temporada, segundo o índice FipeZap.
No entanto, é preciso cautela. A regulamentação municipal ainda é fragmentada: São Paulo exige cadastro de imóveis para temporada, enquanto o Rio estuda taxar diárias acima de R$ 500. Além disso, a concorrência com plataformas de hospedagem exige anúncios com fotos profissionais e descrições detalhadas. Imóveis com nota abaixo de 4,5 estrelas têm ocupação 30% menor.
Para quem quer entrar nesse mercado, o caminho é começar com um imóvel próprio em bairro consolidado, investir em mobiliário de qualidade e automatizar a gestão de reservas. “O investidor que trata o imóvel como negócio, com precificação dinâmica e check-in digital, tem vantagem competitiva”, conclui o consultor. A tendência é que, até 2027, o aluguel por temporada represente 15% do mercado de locação residencial no Brasil.


