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Aluguel por temporada no Brasil: giro recorde em julho de 2026 e migração para médio prazo

Com a alta de 3,2% no IPCA de junho e a Selic em 13,75%, inquilinos e proprietários estão trocando diárias por contratos de 3 a 6 meses. Dados do Secovi-SP mostram giro recorde de 4.500 contratos de temporada na primeira quinzena de julho.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada no Brasil: giro recorde em julho de 2026 e migração para médio prazo

O mercado de locação por temporada no Brasil registra, neste mês de julho de 2026, um movimento atípico. Levantamento do Secovi-SP divulgado nesta quarta-feira (17) aponta que, na primeira quinzena de julho, foram fechados 4.500 contratos de temporada na capital paulista — volume 18% superior ao mesmo período de 2025. A novidade é que a duração média dos contratos saltou de 12 para 45 dias, indicando uma migração para o aluguel de médio prazo.

Segundo o economista-chefe do Secovi-SP, Marcos Duarte, o motivo é a combinação entre inflação persistente (IPCA de junho a 3,2% no acumulado em 12 meses) e a Selic mantida em 13,75% na última reunião do Copom, em 18 de junho. “Com o custo do crédito alto, muitas famílias adiaram a compra do imóvel próprio e passaram a buscar alternativas de moradia flexível. O aluguel por temporada, antes concentrado no verão e em destinos turísticos, agora atende também trabalhadores remotos e profissionais em transição de cidade”, explica.

Os dados da plataforma de aluguéis por temporada AlugueTemporada.com.br, obtidos com exclusividade pelo Perspectiva Imobiliária, mostram que as diárias médias em julho de 2026 subiram 6,8% em relação a julho de 2025, para R$ 287. Em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, o avanço foi ainda maior: 9,2% e 7,5%, respectivamente. Já em cidades litorâneas como Florianópolis e Rio de Janeiro, a alta foi mais moderada (4,1% e 3,9%), refletindo maior oferta de unidades.

Outro fator de destaque é o avanço das plataformas digitais na formalização dos contratos. Dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) indicam que, no primeiro semestre de 2026, 62% dos contratos de temporada contaram com garantidoras digitais — ante 48% no mesmo período de 2025. “Isso reduz a inadimplência e atrai investidores institucionais para o segmento”, avalia a analista de mercado da Abrainc, Carla Mendes.

A tendência deve se intensificar no segundo semestre. O Índice FipeZap de locação residencial acumula alta de 5,7% nos primeiros seis meses de 2026, impulsionado sobretudo pelos contratos de curta duração. O Banco Central, em seu último Relatório de Inflação (junho/2026), projeta que a Selic encerre o ano em 13,25%, mantendo o crédito imobiliário restrito. “Enquanto o financiamento não deslanchar, o aluguel por temporada seguirá como principal vetor de liquidez no mercado residencial”, conclui Duarte.

Para quem busca renda com imóveis, a recomendação dos especialistas ouvidos é diversificar entre contratos de temporada e de longo prazo, com atenção à localização e à sazonalidade local. “Em bairros corporativos de São Paulo, o giro de contratos de 30 a 60 dias já supera o de diárias. É um novo perfil de locatário que veio para ficar”, finaliza Carla Mendes.

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