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Aluguel por temporada no Brasil dispara 34% em setembro e muda regras do jogo

Com Copom segurando a Selic em 10,25% e o dólar a R$ 5,42, a locação de curta duração virou o ativo mais rentável do trimestre. Veja os números e quem está lucrando.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada no Brasil dispara 34% em setembro e muda regras do jogo

A locação por temporada deixou de ser aposta de verão e virou estratégia central de investidores em setembro. Segundo levantamento exclusivo da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) obtido com exclusividade, a receita média mensal por unidade de short stay subiu 34% no acumulado do trimestre em relação ao mesmo período de 2025, puxada pela alta do dólar, que fechou a semana a R$ 5,42, e pela Selic estacionada em 10,25% após a última reunião do Copom. O movimento contraria a desaceleração do aluguel residencial tradicional, que segundo o FipeZap avançou apenas 0,6% em agosto.

O que explica o salto é uma combinação de fatores. O turismo doméstico cresceu 11% no primeiro semestre, segundo a Embratur, enquanto a ocupação média das plataformas de short stay atingiu 78% em cidades como Florianópolis, João Pessoa e Gramado. Em São Paulo, bairros como Pinheiros e Vila Madalena registraram diárias médias de R$ 420, alta de 28% em 12 meses. "O investidor percebeu que o rendimento por metro quadrado é até três vezes maior que a locação tradicional", afirma Renata Salles, diretora de estudos de mercado da Abrainc.

O fenômeno também tem viés regulatório. O Congresso discute desde agosto o Marco Legal da Locação por Temporada, que pode uniformizar regras de condomínios e municípios. Enquanto isso, a Receita Federal apertou a fiscalização sobre rendimentos declarados por anfitriões, e o número de CNPJs abertos para gestão de imóveis de curta duração cresceu 22% no trimestre, segundo a Serasa Experian. Empreendedores estão migrando do aluguel convencional para o modelo por temporada para escapar da baixa rentabilidade dos contratos longos, que hoje giram em torno de 0,4% ao mês.

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Abrir mão do aluguel tradicional, porém, exige cálculo. A taxa de administração das plataformas varia de 15% a 25%, e a vacância em meses de baixa temporada pode derrubar o retorno. Um apartamento de dois quartos em Balneário Camboriú alugado por temporada rende, em média, R$ 8.900 por mês na alta estação, mas cai para R$ 2.400 em junho, segundo a consultoria Seazone. Na locação convencional, o mesmo imóvel renderia R$ 3.800 mensais de forma estável. "A conta só fecha com gestão profissional e precificação dinâmica", alerta o economista Bruno Goulart, da FGV.

O mercado financeiro já reagiu. Fundos de investimento imobiliário voltados a short stay captaram R$ 1,2 bilhão na B3 neste trimestre, recorde para o setor, segundo a Anbima. Paralelamente, fintechs de antecipação de recebíveis de temporada multiplicaram o volume de operações. O movimento pressiona também o mercado de crédito: bancos passaram a aceitar contratos de locação por temporada como garantia em financiamentos, algo impensável até 2024.

Para quem pensa em entrar agora, a recomendação dos especialistas é cautela. O pico de rentabilidade histórica ocorre entre dezembro e março, e comprar imóvel em setembro para estrear na alta temporada exige reforma e mobiliário em menos de 90 dias. A dica é mirar cidades com demanda o ano inteiro, como São Paulo e Belo Horizonte, onde a ocupação corporativa sustenta a diária mesmo fora das férias. "Temporada virou ativo de portfólio, mas não é poupança", resume Salles, da Abrainc.

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