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Aluguel por temporada no Brasil dispara 27% e bate recorde em agosto

Locação de curta duração movimentou R$ 2,1 bilhões no trimestre, puxada por eventos e turismo digital; descubra os bairros que mais valorizaram e o que esperar para o fim do ano.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada no Brasil dispara 27% e bate recorde em agosto

O mercado de locação por temporada no Brasil acaba de registrar o melhor mês da sua história. Em agosto, os aluguéis de curta duração cresceram 27% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da plataforma brasileira de hospedagem Hometel, que monitora 180 mil imóveis em 340 cidades. O movimento, impulsionado pelo aumento do turismo doméstico e pela profissionalização dos anfitriões, gerou uma receita estimada em R$ 2,1 bilhões apenas no terceiro trimestre, conforme dados da Associação Brasileira de Locação por Temporada (Abratempor).

O desempenho foi puxado, principalmente, pelas capitais do Nordeste e por cidades-sede de grandes eventos. Em Fortaleza, a diária média subiu 18% na alta estação, chegando a R$ 420, enquanto em São Paulo, bairros como Pinheiros e Vila Madalena registraram ocupação de 78% em agosto, reflexo da agenda de shows internacionais e feiras de negócios. "O brasileiro redescobriu a locação por temporada como alternativa de renda, mas o jogo mudou: quem não usa precificação dinâmica ou não investe em experiência está ficando para trás", afirma Carla Mendes, especialista em hospitalidade da consultoria VivaHospeda.

A alta nos aluguéis de curta duração também está mudando o comportamento do mercado tradicional. No último mês, a procura por imóveis residenciais em bairros com forte presença de temporada cresceu 12% na FipeZap, enquanto os contratos de longo prazo tiveram reajuste médio de 8,4% nos últimos 12 meses, acima da inflação projetada pelo Banco Central. Para o corretor André Nunes, da imobiliária LocaBras, a tendência é que mais proprietários migrem para o modelo de curta duração, mas com cautela: "A rentabilidade pode ser 30% maior, mas a vacância e os custos de gestão exigem planejamento", alerta.

O que explica o boom? Especialistas apontam dois fatores: o aumento da renda das famílias, com o mercado de trabalho aquecido e o IPCA em 4,2%, e a consolidação do trabalho remoto, que transformou brasileiros em nômades digitais. Dados do Ministério do Turismo indicam que, no primeiro semestre de 2026, 1,2 milhão de brasileiros trabalharam de forma remota em cidades turísticas, alta de 34% sobre o ano anterior. Cidades como Gramado, Campos do Jordão e Jericoacoara viram a oferta de imóveis para temporada dobrar desde 2024, elevando o preço médio dos imóveis nessas regiões em até 25%.

Para quem quer entrar nesse mercado ou já atua, a dica é ficar atento às novas regras de tributação. Em agosto, o Congresso aprovou o marco regulatório da locação por temporada, que unifica as alíquotas do Imposto de Renda para 15% sobre o lucro líquido e simplifica o cadastro de anfitriões. A medida, sancionada nesta semana, deve dar segurança jurídica e atrair investidores institucionais. Segundo o economista Bruno Takahashi, da consultoria MacroHabitação, a expectativa é que o setor cresça mais 18% até dezembro, puxado pelo Natal e pelo Réveillon, com destaque para Florianópolis e Maceió.

No fim das contas, a locação por temporada deixou de ser hobby e virou negócio de alto retorno, mas com riscos. Em agosto, o nível de inadimplência entre hóspedes subiu para 2,3%, segundo a Abratempor, ainda baixo, mas que exige seleção criteriosa. A recomendação dos especialistas é utilizar plataformas com verificação de identidade, contratar seguros específicos e manter uma reserva para períodos de baixa demanda. "O mercado está maduro, mas não é para amadores", resume Carla.

Com a virada do ano se aproximando, os investidores que já estão posicionados devem colher os frutos. A expectativa é que a diária média em destinos como Trancoso e Búzios ultrapasse R$ 1.200 no Natal, um aumento de 35% sobre o ano passado. Para quem está de fora, ainda há tempo de avaliar o potencial do seu imóvel: com a nova regra e a demanda aquecida, o aluguel por temporada pode ser a resposta para uma renda extra em 2027.

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