Aluguel por temporada explode no Brasil: 34% dos contratos em 2026 são de curta duração
Dados do Secovi-SP mostram que locações de até 90 dias já representam um terço dos novos contratos em capitais. Oferta de imóveis mobiliados saltou 52% em dois anos, impulsionada por plataformas digitais e mudança no perfil do locatário.

O mercado de aluguel no Brasil está passando por uma transformação silenciosa, mas acelerada. Dados do Secovi-SP divulgados nesta terça-feira (14) revelam que as locações por temporada — contratos de até 90 dias — já respondem por 34% dos novos aluguéis residenciais em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Em 2024, esse percentual era de 22%. A virada reflete tanto a consolidação das plataformas digitais quanto uma mudança no comportamento dos inquilinos.
Segundo levantamento da Abrainc, o número de imóveis anunciados exclusivamente para temporada cresceu 52% entre janeiro de 2024 e junho de 2026. “O proprietário descobriu que pode obter rentabilidade 40% maior com aluguéis de curta duração, mesmo considerando períodos de vacância”, explica Carlos Alberto de Paula, economista-chefe da associação. O movimento é mais forte em bairros como Pinheiros (SP), Leblon (RJ) e Centro de Florianópolis (SC), onde a concentração de imóveis mobiliados ultrapassa 60% do estoque.
O perfil do locatário também mudou. Dados do FipeZap indicam que 58% dos contratos de temporada são firmados por profissionais em home office ou híbrido, que buscam mobilidade entre cidades. “O aluguel por temporada virou opção para quem não quer se prender a contratos longos, especialmente jovens de 25 a 35 anos”, diz Paula. Outro fator é o crescimento do turismo de negócios: plataformas como Airbnb e Vrbo registraram aumento de 27% nas reservas corporativas no primeiro semestre de 2026.
A tendência, porém, traz desafios. A Anbima alerta que a volatilidade da ocupação pode afetar o fluxo de caixa do investidor. “Quem compra para temporada precisa de reserva para cobrir meses de baixa”, recomenda Renata Alves, analista da consultoria imobiliária Brain. Além disso, prefeituras como a do Rio já estudam regulamentação mais rígida, com taxas específicas para imóveis de curta duração. A expectativa é que, até 2027, ao menos cinco capitais criem cadastros obrigatórios para plataformas.
Para o investidor pessoa física, a dica é diversificar. “Imóveis em bairros com demanda mista – lazer e trabalho – tendem a sofrer menos com sazonalidade”, orienta Alves. Ela sugere priorizar apartamentos de 40 a 60 m², com bom acabamento e localização próxima a transporte público. “O retorno pode chegar a 0,8% do valor do imóvel por mês, contra 0,4% do aluguel tradicional. Mas exige gestão ativa ou contratação de administradoras.”
Com a perspectiva de juros básicos em 12,5% ao ano, a procura por investimentos imobiliários deve continuar aquecida. O aluguel por temporada surge como alternativa real, mas exige planejamento. “O mercado não é mais de ‘comprar e esquecer’. É de ‘comprar, mobiliar e gerenciar’”, resume Paula. Para quem topa o desafio, os números mostram que há espaço — desde que se conheça bem o bairro e o perfil do inquilino.


