Aluguel por temporada dispara no Brasil em julho de 2026 e reconfigura mercado de locação tradicional
Com a alta da Selic e o boom do turismo doméstico, locações de curto prazo avançam 18% no trimestre sobre 2025. Proprietários migram de contratos longos para plataformas digitais, pressionando a oferta de imóveis residenciais nas capitais.

O mercado de locação no Brasil vive uma inflexão neste terceiro trimestre de 2026. Dados do Secovi-SP divulgados na última quarta-feira mostram que os contratos de aluguel por temporada cresceram 18% em volume no trimestre encerrado em junho, na comparação com o mesmo período de 2025. Em contrapartida, as locações residenciais tradicionais de longo prazo recuaram 4% no mesmo intervalo, sinalizando uma mudança no comportamento dos proprietários.
O fenômeno tem relação direta com o ciclo de juros altos. Com a Selic mantida em 13,75% ao ano na última reunião do Copom, em 16 de julho, o custo de financiamento imobiliário continua elevado, desestimulando a compra e mantendo aquecida a demanda por aluguel. No entanto, os proprietários estão cada vez mais atraídos pela rentabilidade imediata das plataformas de temporada, que oferecem diárias até 40% superiores ao valor médio mensal rateado de um contrato tradicional, segundo levantamento da plataforma AlugueTemporada divulgado nesta semana.
O impacto já é sentido nas capitais turísticas. Em Florianópolis, a oferta de imóveis para locação anual caiu 12% em relação a janeiro, conforme dados da Associação de Imobiliárias de Santa Catarina. Já no Rio de Janeiro, bairros como Copacabana e Ipanema registram aumento de 22% nos anúncios de temporada desde o início de 2026, puxado pela Copa do Mundo de 2026, que começa em novembro, e pelo Réveillon que já movimenta reservas antecipadas.
Especialistas consultados pelo Perspectiva Imobiliária apontam que a tendência deve se intensificar. “Estamos vendo uma migração estrutural, não apenas sazonal. O proprietário está comparando o retorno líquido entre contratos longos e a temporada, e muitas vezes a diferença supera 30% ao ano”, afirma Pedro Almeida, economista-chefe do Secovi-SP. Ele alerta, no entanto, que a falta de regulação específica para temporada em cidades como São Paulo e Belo Horizonte gera insegurança jurídica para ambas as partes.
O movimento também chama atenção do Congresso. No último dia 10, a Câmara dos Deputados instalou uma comissão especial para discutir o Projeto de Lei 4.567/2025, que propõe regras nacionais para locação por temporada, incluindo cadastro obrigatório de anfitriões e limites de dias por ano. A relatora, deputada Tábata Amaral (PSB-SP), afirmou em entrevista à Agência Câmara que o texto deve ser votado até outubro, visando equilibrar os interesses do turismo e do mercado residencial.
Para quem busca imóvel para morar, a recomendação dos consultores é antecipar a procura. “Com a oferta de longo prazo encolhendo, a tendência é de alta nos aluguéis tradicionais nos próximos meses. Quem precisa de contrato anual deve fechar negócio ainda em agosto”, orienta Marina Costa, diretora da imobiliária LocaFácil, em entrevista ao portal. O Índice FipeZap de Aluguéis, divulgado na sexta-feira, já aponta alta de 0,9% em junho, acumulando 7,2% no semestre.


