Aluguel por temporada dispara 38% no litoral de SP; veja onde rende mais
Levantamento do Secovi-SP mostra alta recorde na locação de curta duração no terceiro trimestre. Cidades como Guarujá e Ilhabela lideram; entenda o impacto para investidores.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de forte aquecimento, impulsionado pelo turismo doméstico e pela busca por renda extra. Dados divulgados nesta semana pelo Secovi-SP indicam que a procura por imóveis de temporada no litoral paulista cresceu 38% no terceiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Esse movimento é ainda mais intenso em cidades como Guarujá e Ilhabela, onde a alta chegou a 45%.
O cenário reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que passou a valorizar experiências personalizadas e a evitar grandes aglomerações. Segundo pesquisa da plataforma brasileira de aluguel por temporada, 68% dos viajantes nacionais preferem casas ou apartamentos mobiliados a hotéis tradicionais. Tal preferência abre uma janela de oportunidade para pequenos investidores, que conseguem obter rentabilidade mensal até 30% superior à do aluguel convencional.
No entanto, o mercado também apresenta desafios. A regulação municipal tem se tornado mais rígida, com cidades como Florianópolis e Rio de Janeiro aprovando leis que limitam a operação de imóveis sem cadastro. Na capital fluminense, uma nova resolução publicada no mês passado exige registro na prefeitura e pode multar proprietários irregulares em até R$ 10 mil. Especialistas recomendam que os investidores verifiquem a legislação local antes de apostar no segmento.
Outro fator que impulsiona a locação por temporada é a alta dos juros, que desestimula o financiamento de imóveis tradicionais e leva investidores a buscarem alternativas de rendimento. Mesmo com a Selic em 12,75% ao ano, após decisão do Copom de agosto, a rentabilidade do aluguel por temporada, que pode chegar a 1,2% ao mês sobre o valor do imóvel, supera em muito o retorno da poupança. Esse diferencial mantém o interesse de investidores mesmo com o crédito mais caro.
O mercado de curto prazo também se beneficia do avanço das plataformas digitais. Dados do grupo que administra o Airbnb no Brasil indicam que o número de anúncios ativos cresceu 25% no primeiro semestre de 2026, com destaque para cidades do interior e regiões serranas. São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo, viram um aumento de 40% na oferta de imóveis por temporada, atraindo desde profissionais em trabalho remoto até turistas de lazer.
Para quem deseja entrar nesse nicho, a recomendação dos consultores é focar em imóveis bem localizados e com infraestrutura para home office, já que essa é a principal exigência do novo perfil de inquilino. Além disso, é essencial precificar de forma dinâmica, acompanhando a demanda por temporada. Com a alta do dólar, que ultrapassou R$ 5,90 nesta semana, o turista estrangeiro também volta a ser relevante em destinos como o Nordeste, o que pode elevar ainda mais a rentabilidade no verão.


