Mercado BR

Aluguel por temporada dispara 38% em 2026 com nova regra do Copom

Pousadas e imóveis de temporada batem recorde de ocupação no feriado de 7 de setembro, enquanto nova taxa Selic a 9,25% pressiona o aluguel residencial tradicional. Veja quem ganha e quem perde

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 38% em 2026 com nova regra do Copom

O feriado de 7 de setembro consolidou o que o mercado já vinha sinalizando desde julho: a locação por temporada vive seu melhor ano desde 2021. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) em parceria com a FipeZap, a diária média nacional subiu 38% no acumulado de 2026, saltando de R$ 287 para R$ 396. Em destinos como Florianópolis, Porto de Galinhas e Búzios, a taxa de ocupação no feriado da Independência bateu 92%, ante 78% no mesmo período do ano passado.

O motor dessa disparada tem nome e sobrenome: a nova taxa Selic, que o Banco Central fixou em 9,25% na última reunião do Copom, em 2 de setembro. Com o juro básico mais baixo, o investidor que antes deixava o dinheiro na renda fixa voltou a olhar para o tijolo — mas não para o aluguel tradicional, e sim para a temporada. "O retorno médio de um imóvel de temporada bem gerido está entre 0,9% e 1,3% ao mês, contra 0,45% do aluguel residencial comum", afirma Marcos Ribeiro, diretor de estudos econômicos da Abrainc. "O investidor percebeu isso e está migrando."

A migração, porém, tem efeito colateral. Nas capitais, o aluguel residencial tradicional subiu 11,4% nos últimos 12 meses, segundo o Índice FipeZap, enquanto a oferta de imóveis para locação de longo prazo caiu 7,8% no mesmo período. O fenômeno é mais visível em bairros badalados: no Rio de Janeiro, a redução de contratos anuais na Zona Sul chegou a 14% neste trimestre. "O proprietário prefere arriscar a temporada, que rende mais no verão, a fechar um contrato de 30 meses", explica Renata Campos, diretora do Secovi-RJ.

O Congresso também entrou na equação. O Projeto de Lei 2.847/2026, que tramita em regime de urgência na Câmara desde agosto, propõe um marco regulatório específico para plataformas de aluguel de curta duração, com exigência de cadastro municipal e limite de 120 dias por ano por unidade em áreas residenciais. A votação está prevista para outubro, e o setor já se movimenta: a Anbima estima que fundos de investimento imobiliário focados em temporada captaram R$ 2,3 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, quase o triplo do volume de 2025.

Para o investidor pessoa física, a conta exige cuidado. A diária alta não garante lucro: custos com limpeza, manutenção, taxas de plataforma e o famoso "inverno vazio" — os meses de maio a agosto — podem corroer até 40% da receita bruta. "Quem entra achando que vai faturar o ano inteiro se decepciona", alerta Ribeiro. A recomendação dos especialistas é calcular o retorno com ocupação realista de 55% a 60% ao ano, não com os 90% do verão.

O cenário para os próximos meses aponta para dois movimentos simultâneos: a temporada deve seguir aquecida até março de 2027, impulsionada pelo dólar acima de R$ 5,60 e pela volta do turista estrangeiro, enquanto o aluguel tradicional tende a ficar ainda mais caro e escasso nas regiões mais procuradas. Quem depende de locação de longo prazo nas capitais já sente no bolso — e quem investe em temporada precisa fazer as contas com pé no chão, não com a euforia do feriado.

#aluguel por temporada#Selic 2026#mercado imobiliário#FipeZap#investimento imobiliário
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo