Mercado BR

Aluguel por temporada dispara 34% em julho; veja os bairros mais rentáveis

Dados do Secovi-SP mostram que o aluguel de curta temporada superou o tradicional em rentabilidade. Saiba onde o retorno anual chega a 12,8%.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 34% em julho; veja os bairros mais rentáveis

A locação por temporada segue turbinando o mercado imobiliário brasileiro em 2026. Dados recém-divulgados pelo Secovi-SP apontam que a procura por imóveis de curta duração cresceu 34% em julho ante o mesmo mês do ano passado, puxada pela retomada do turismo doméstico e pelo avanço de plataformas digitais. O movimento, que antes se concentrava em capitais litorâneas, agora se espalha por bairros de negócios e regiões universitárias.

Em São Paulo, a rentabilidade média anual de um imóvel voltado para temporada atingiu 12,8% nos últimos doze meses, superando a locação tradicional, que ficou em 9,1%, segundo levantamento do DataZap. O bairro da Vila Mariana foi o campeão de valorização de diárias, com alta de 41% no valor médio por noite em julho. Já na capital fluminense, o bairro de Copacabana viu o preço médio da diária saltar para R$ 480, impulsionado pela alta temporada europeia e pelo câmbio favorável.

A mudança no perfil do locatário também chama atenção. Dados da plataforma brasileira de aluguel por temporada indicam que 62% das reservas para agosto e setembro vêm de brasileiros, mas a permanência média cresceu de 4 para 7 noites. Esse comportamento levou muitos investidores a repensar a forma de contratos: em vez do aluguel tradicional de 30 meses, contratos flexíveis de 3 a 6 meses ganham espaço, com cláusulas de reajuste vinculadas ao IPCA e ao IGP-M.

Para o economista da Abrainc, Eduardo Zaidan, a tendência é estrutural. "Com a Selic em 12,75% e o mercado de capitais aquecido, o investidor busca ativos com renda variável e liquidez. A locação por temporada oferece isso, mas exige gestão ativa e conhecimento das regras tributárias", afirma. Ele lembra que a Receita Federal passou a exigir declaração específica para rendimentos de plataformas digitais desde o início do ano, o que elevou a profissionalização do setor.

No Rio Grande do Sul, a recuperação das áreas afetadas pelas enchentes de 2024 também reaqueceu o mercado de curta temporada. Em Porto Alegre, o bairro Moinhos de Vento registrou ocupação média de 85% em julho, com diária média de R$ 350. "Muita gente que comprou imóveis para morar durante a reconstrução acabou transformando em fonte de renda quando voltou para casa", comenta a corretora da imobiliária local, Carla Menezes.

Os especialistas recomendam atenção à localização e à sazonalidade. "Enquanto bairros litorâneos concentram rentabilidade em temporadas curtas, bairros centrais oferecem retorno mais estável ao longo do ano", explica a analista do FipeZap, Renata Camargo. Ela sugere que investidores iniciantes comecem com um imóvel em bairro universitário, como a Vila Mariana, e contratem uma gestora especializada para evitar vacância.

Com a perspectiva de novos cortes na Selic no último trimestre de 2026, a tendência é que o aluguel por temporada continue atraente. "Se o Copom cortar juros em 0,5 ponto percentual na próxima reunião, o crédito imobiliário deve aquecer, mas a rentabilidade da locação tradicional tende a cair, tornando a temporada ainda mais competitiva", projeta Zaidan. Por ora, quem já está no jogo colhe resultados: a taxa de ocupação média nacional em julho foi de 68%, a maior para o mês desde 2019.

#aluguel por temporada#rentabilidade imobiliária#mercado imobiliário
0 comentário(s)

Comentários

para comentar.

    Continue lendo