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Aluguel por temporada dispara 34% e já rende mais que a poupança em 11 capitais

Com Selic a 9,75% e plataformas digitais dominando o mercado, imóveis de curta duração viraram o novo queridinho do investidor — mas nem todo bairro entrega o retorno prometido.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 34% e já rende mais que a poupança em 11 capitais

O aluguel por temporada virou o filão mais cobiçado do investidor brasileiro neste setembro de 2026. Segundo levantamento inédito da FipeZap em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc), divulgado nesta semana, a diária média nacional subiu 34% nos últimos 12 meses, enquanto o aluguel residencial tradicional avançou apenas 8,7% no mesmo período. Em 11 capitais, o retorno líquido anual da locação de curta duração já supera o rendimento da poupança — que segue travado em 6,17% ao ano mais TR.

O fenômeno tem nome e endereço. Florianópolis lidera o ranking com rentabilidade média de 11,2% ao ano, seguida por Balneário Camboriú (10,4%), João Pessoa (9,8%) e Porto de Galinhas (9,3%). Na capital catarinense, um apartamento de dois quartos na Lagoa da Conceição, comprado por R$ 780 mil, tem gerado R$ 7.300 mensais em locação por temporada — quase o dobro do que renderia em contrato anual de 30 meses. "O turista pós-pandemia virou nômade digital e passou a ficar semanas, não dias", explica Renata Fonseca, economista da Abrainc.

O movimento é puxado por três forças simultâneas. A primeira é a Selic, que o Copom manteve em 9,75% na última reunião de agosto, tornando a renda fixa menos atraente frente ao imóvel que gera caixa. A segunda é a regulamentação municipal: ao menos 47 cidades já aprovaram leis específicas para plataformas de aluguel de curta duração nos últimos 18 meses, dando segurança jurídica que faltava. A terceira é a entrada de gestoras profissionais — fundos como o Housi FII e o Selina Residence captaram R$ 2,4 bilhões no trimestre atual só para converter apartamentos ociosos em unidades de temporada.

Mas o paraíso tem pedras. Levantamento do Secovi-SP mostra que 38% dos investidores de temporada em São Paulo amargam taxa de ocupação abaixo de 55% — o ponto de equilíbrio calculado pela entidade é 62%. Bairros como Consolação e Santa Cecília, que atraíram onda de conversões em 2025, hoje enfrentam excesso de oferta e diárias em queda de 12% neste trimestre. "Muita gente comprou pelo Instagram e esqueceu de olhar a concorrência do prédio ao lado", alerta o consultor Marcos Aurélio Lima, da Brain Imóveis.

O risco regulatório também aperta. O projeto de lei 2.847/2026, em tramitação na Câmara, quer obrigar plataformas como Airbnb e Booking a repassar dados de hospedagem à Receita Federal, com retenção de ISS na fonte a partir de julho de 2027. Na prática, o investidor que hoje embolsa R$ 7 mil mensais sem declarar pode ver o rendimento líquido cair 15% com a formalização. A Anbima estima que apenas 22% dos proprietários de temporada no Brasil recolhem tributos corretamente hoje.

Para quem pensa em entrar agora, a recomendação dos analistas é clara: fuja de capitais saturadas e mire cidades médias com turismo em ascensão. Cidades como Tiradentes (MG), Pirenópolis (GO) e São Miguel dos Milagres (AL) aparecem no radar da FipeZap com rentabilidade acima de 9% e oferta ainda controlada. O prazo médio de retorno do investimento nessas praças é de 8 a 11 anos — contra 14 a 18 anos nas capitais tradicionais. Com a Selic em trajetória de queda lenta e o turismo interno projetado para crescer 7,2% em 2026, segundo o Ministério do Turismo, o jogo do aluguel por temporada segue aberto — mas agora exige calculadora, não achismo.

#aluguel por temporada#investimento imobiliário#FipeZap#Airbnb#rentabilidade
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