Aluguel por temporada dispara 32% em agosto; donos de imóveis lucram mais que nunca
Diárias no Rio e em SP batem recorde histórico, enquanto contratos de aluguel tradicionais sofrem reajuste abaixo da inflação. Saiba onde o dinheiro está fluindo.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de ouro. Dados divulgados nesta semana pela plataforma de aluguéis de curta duração AlugueTemporada mostram que o volume de reservas cresceu 32% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado, puxado pelo turismo doméstico e pela alta do dólar, que inibiu viagens ao exterior.
Enquanto isso, o aluguel tradicional de longo prazo segue com reajustes abaixo da inflação. O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), medido pela FipeZap, acumula alta de apenas 4,8% nos 12 meses encerrados em julho, ante uma inflação projetada pelo Banco Central de 5,2% para 2026. Isso significa que o locador tradicional está, na prática, perdendo poder de compra.
Já o locador de temporada está surfando uma onda. Os preços médios das diárias subiram 18% no último trimestre nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, segundo levantamento da plataforma AirDNA, que monitora anúncios de imóveis inteiros. No Rio, a diária média de um apartamento de dois quartos em Copacabana já chega a R$ 850, um recorde histórico para um mês de agosto, que tradicionalmente tem demanda mais fraca.
Especialistas apontam que a flexibilidade do aluguel por temporada atrai cada vez mais investidores. "O proprietário que consegue migrar entre curta e longa duração está protegido contra a inflação e ainda se beneficia da alta do turismo", afirma Ricardo Nunes, analista da consultoria Brain. "Mas é preciso ter capital de giro para cobrir períodos de vacância e custos de manutenção."
A tendência também se reflete no mercado de lançamentos. Na semana passada, a incorporadora Vitacon anunciou que 40% das unidades do seu novo empreendimento na Vila Mariana, em São Paulo, serão entregues mobiliadas e prontas para locação por temporada. A empresa projeta retorno anual de 12% para os investidores, quase o dobro da média do aluguel tradicional, que gira em torno de 6,5% ao ano, segundo dados da Abrainc.
Para quem quer entrar nesse mercado, a dica dos especialistas é focar em localizações com alta demanda turística ou de negócios, como bairros centrais de capitais e cidades litorâneas. Além disso, é essencial contar com uma boa gestão de hospedagem e manter o imóvel sempre bem avaliado nas plataformas digitais. "A régua está subindo", alerta Nunes. "Imóveis com avaliação abaixo de 4,5 estrelas estão ficando de fora das buscas, e a concorrência é cada vez maior."
Com a inflação pressionada e o Copom sinalizando que deve manter a Selic em 14,5% ao ano até dezembro, a renda do aluguel tradicional tende a continuar defasada. Nesse cenário, o aluguel por temporada se consolida como a alternativa mais lucrativa para quem já tem imóvel ou está pensando em investir, principalmente se o turismo continuar batendo recordes, como mostra o desempenho do setor neste início de setembro.


