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Aluguel por temporada dispara 32% e supera contrato anual no Brasil

Pesquisa inédita mostra que locação de curto prazo já responde por 28% dos lançamentos no país; veja as cidades que lideram e o que muda para o investidor.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Aluguel por temporada dispara 32% e supera contrato anual no Brasil

O mercado de aluguel por temporada no Brasil vive um momento de virada. Dados divulgados nesta semana pela Associação Brasileira de Incorporadoras e Construtoras (Abrainc) apontam que a procura por imóveis para locação de curto prazo cresceu 32% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. É o maior avanço desde o início da série histórica, em 2019.

O movimento é puxado pela retomada do turismo doméstico e pelo avanço das plataformas de hospedagem. Segundo a Fecomércio, o setor de turismo cresceu 8% no primeiro semestre deste ano, e cidades como Florianópolis, Gramado e Recife registraram ocupação média de 85% em julho. A alta dos contratos de temporada já supera, em ritmo, os aluguéis tradicionais, que subiram 1,2% no mês de julho, de acordo com o Índice FipeZap de Locação.

A rentabilidade maior atrai investidores. O retorno anual médio da locação por temporada, já descontadas as taxas das plataformas, ficou em 8,4% no último trimestre, contra 5,9% do aluguel convencional, segundo levantamento da plataforma de gestão de aluguéis TemporadaBrasil. Em bairros como a Vila Madalena, em São Paulo, e a Praia de Ipanema, no Rio, o rendimento chega a 12% ao ano.

Mas não é só festa. A regulamentação municipal ainda é um entrave. Pelo menos 15 capitais brasileiras discutem normas para a locação de curto prazo, e algumas já aplicam cobranças extras, como a taxa de permanência em Recife, que passou a valer em junho. Especialistas ouvidos pelo Perspectiva Imobiliária alertam que o investidor precisa avaliar a legislação local antes de apostar no segmento.

Outro ponto de atenção é a sazonalidade. A alta rentabilidade média esconde meses de vacância, como abril e setembro, quando a ocupação cai para menos de 40% em quase todas as praças. Diversificar a localização e ter uma gestão profissional é essencial para não transformar o sonho de renda extra em dor de cabeça.

Para quem já atua ou quer entrar no mercado, a dica é mirar em cidades com eventos e turismo de negócios consolidados. Porto Alegre, que recebeu a Feira do Livro em julho, e Belo Horizonte, com o Congresso de Mineração em agosto, registram alta de até 25% nas diárias em semanas de grandes eventos.

A tendência é de consolidação. Especialistas projetam que a locação por temporada deve representar 35% do total de contratos de aluguel no país até o fim de 2027. Para o investidor, o segredo é acompanhar os números e não abrir mão da análise jurídica. O mercado está quente, mas exige estratégia.

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