Aluguel de temporada no Brasil dispara 23% em julho: os 5 bairros mais rentáveis
Onda de turismo doméstico e reforma do Airbnb impulsionam alta; saiba onde o rendimento mensal chega a R$ 8 mil e como capturar essa tendência agora.

O mercado de locação por temporada no Brasil vive um momento de ebulição. Dados do FipeZap divulgados nesta semana mostram que o valor médio do aluguel por diária subiu 23% em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025. A alta é puxada pela combinação de câmbio favorável para estrangeiros e a nova regulamentação do Airbnb, que trouxe mais segurança jurídica para locadores.
Em capitais como Florianópolis, Recife e Rio de Janeiro, a ocupação média dos imóveis temporada chegou a 78% no último fim de semana, segundo a Secovi-SP. O destaque fica para bairros como a Vila Madalena, em São Paulo, e a Praia de Ipanema, no Rio, onde o rendimento mensal potencial de um apartamento de 2 quartos mobiliado ultrapassa R$ 8 mil. Na prática, isso significa um retorno de até 1,2% ao mês sobre o valor do imóvel, número que supera a rentabilidade do aluguel tradicional e até mesmo de muitos FIIs de papel.
O que explica esse movimento? Primeiro, o fortalecimento do turismo interno, impulsionado por uma safra de eventos corporativos e festivais de música que se concentraram neste inverno. Segundo, a decisão do Copom de manter a Selic em 11,75% no fim de julho, que mantém o crédito imobiliário ainda caro e empurra investidores para o mercado de locação de curto prazo. "O investidor pessoa física está migrando de imóveis residenciais comuns para aqueles com potencial de temporada", afirma Paula Reis, analista da Abrainc, em relatório divulgado nesta terça-feira.
Para quem quer entrar nesse mercado, a localização é o fator número um. Bairros com infraestrutura turística consolidada, como a Rua Augusta, em São Paulo, ou o Centro Histórico de Paraty, têm taxa de ocupação acima de 85% nos fins de semana. A recomendação dos especialistas é focar em imóveis compactos, de 30 a 50 m², que têm maior liquidez e são mais fáceis de gerenciar. A plataforma brasileira TemporadaLivre, que lançou um índice próprio esta semana, mostra que o retorno médio desses imóveis é 42% superior ao de unidades grandes.
A tendência, no entanto, pede atenção. A oferta de imóveis para temporada cresceu 18% no primeiro semestre deste ano, o que pode pressionar os preços nas praias mais saturadas, como Balneário Camboriú, onde a diária média já caiu 6% em julho, segundo dados da startup AlugueTemporada. "O segredo está em escolher destinos secundários, como Ilhabela ou a Serra Gaúcha, onde a demanda ainda supera a oferta", sugere o consultor João Britto, do Secovi-SP.
Para o investidor, a dica é diversificar: um imóvel na praia para temporada pode ser combinado com um apartamento em centro urbano para aluguel tradicional, criando um portfólio equilibrado. E, com a alta de 23% nas diárias, quem já está no mercado vê seu rendimento mensal saltar de R$ 4.200 para R$ 5.170 em um ano, considerando um imóvel de R$ 500 mil. Neste trimestre, a expectativa dos especialistas é de que a demanda continue aquecida, especialmente com a chegada do verão.


