Aluguel de temporada no Brasil bate recorde com 1,2 milhão de imóveis e diária 38% maior em 2026
Com 1,2 milhão de unidades ativas e diária média de R$ 420, a locação por temporada cresce 38% em 2026. Novas regras e plataformas internacionais mudam o jogo para proprietários e inquilinos.

O mercado de aluguel por temporada no Brasil nunca esteve tão aquecido. Segundo dados exclusivos da Associação Brasileira de Locação por Temporada (Abratemp), o país encerrou agosto de 2026 com 1,2 milhão de imóveis ativos nessa modalidade — um salto de 38% em relação ao mesmo período de 2025. A diária média nacional subiu para R$ 420, ante R$ 305 no ano passado, puxada pela demanda recorde de turistas estrangeiros e pela nova onda de nômades digitais que escolhem o litoral brasileiro para trabalhar remotamente.
O movimento é puxado por três fatores principais. O primeiro é a alta do dólar, que fechou o trimestre em R$ 5,65, tornando o Brasil um destino barato para europeus e americanos. O segundo é a expansão agressiva de plataformas internacionais como Airbnb e Booking, que ampliaram em 42% o número de anúncios verificados no país só neste ano. O terceiro é a flexibilização das regras de condomínio: desde julho, o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou o entendimento de que a locação por temporada é atividade econômica lícita, derrubando restrições que travavam o setor em cidades como São Paulo e Florianópolis.
Os números por região revelam um mapa bem diferente do que se via até 2024. O Nordeste concentra 41% da oferta nacional, com destaque para Porto de Galinhas (PE), Maragogi (AL) e Jericoacoara (CE), onde a diária média já ultrapassa R$ 680. O Sudeste, que perdeu espaço relativo, ainda lidera em valor absoluto: um apartamento de dois quartos na Vila Madalena, em São Paulo, tem diária média de R$ 520, enquanto no Leblon, no Rio, chega a R$ 890. Já a região Sul surpreende: Gramado (RS) registrou ocupação de 92% em julho, e a cidade de Urubici (SC) viu sua diária subir 55% em um ano.
Mas o avanço também acende o alerta para proprietários e inquilinos. O aumento da oferta de temporada tem pressionado o aluguel residencial tradicional em bairros turísticos. Na Praia Grande (SP), por exemplo, o aluguel anual subiu 22% em 12 meses, segundo o FipeZap, enquanto a oferta de imóveis para locação convencional caiu 18%. "Muitos proprietários migraram para a temporada por causa da rentabilidade maior. Isso reduziu a oferta de aluguel de longo prazo e encareceu o morador local", explica Marina Duarte, economista da Abratemp.
Para quem quer entrar nesse mercado, a conta precisa ser bem feita. Um imóvel de dois quartos em Balneário Camboriú (SC), avaliado em R$ 650 mil, gera em média R$ 6.800 por mês em temporada alta — mas apenas R$ 2.100 entre maio e agosto. A taxa de administração das plataformas consome de 15% a 20% do faturamento, e os custos com limpeza, manutenção e impostos podem representar mais 25%. Ou seja, o retorno líquido anual fica entre 6% e 9%, competitivo com a renda fixa, mas com risco operacional bem maior.
O que muda até dezembro é o avanço da regulamentação municipal. Pelo menos 14 capitais já aprovaram leis que exigem cadastro prévio de imóveis de temporada, limite de dias de hospedagem e recolhimento de ISS. Em Florianópolis, a prefeitura arrecadou R$ 47 milhões em impostos do setor só no primeiro semestre, valor 3,2 vezes maior que em 2025. A tendência é que, até o fim do ano, o Congresso vote um marco regulatório nacional para a atividade, o que deve dar mais segurança jurídica — mas também mais obrigações a quem aluga.
A conclusão é direta: a temporada virou um negócio de gente grande, com números robustos e regras mais claras. Para o investidor, a chance é real, mas exige planejamento profissional, gestão de custos e atenção à regulamentação local. Quem tratar o aluguel por temporada como renda extra desorganizada vai perder dinheiro; quem estruturar o negócio com dados e assessoria tende a capturar uma das melhores rentabilidades do mercado imobiliário em 2026.


