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A cidade que virou alerta global: imóvel que valia US$ 1 mi em 2024 hoje vale 30% menos em Miami

Miami despenca, Lisboa segura, Dubai explode e Tóquio surpreende. Entenda o ranking das bolhas imobiliárias globais em julho de 2026 e onde investir com cautela.

Redação Perspectiva Imobiliária·
A cidade que virou alerta global: imóvel que valia US$ 1 mi em 2024 hoje vale 30% menos em Miami

Enquanto o mercado imobiliário global dá sinais mistos em julho de 2026, uma cidade se destaca pelo tombo: Miami. Dados divulgados nesta semana pelo Miami Realtors Association mostram que o preço médio do metro quadrado caiu 31% desde o pico de 2024, puxado pelo excesso de oferta de condomínios de luxo e pelo aperto no crédito nos EUA. O Fed manteve a taxa básica em 5,75% no último encontro de junho, e o efeito já aparece nas vendas: caíram 22% no segundo trimestre ante o mesmo período de 2025.

Em contraste, Lisboa vive um boom puxado pelo programa de vistos gold reformulado em 2025. O governo português ampliou o investimento mínimo para €750 mil, mas a procura de brasileiros e asiáticos não diminuiu. Dados do Instituto Nacional de Estatística português mostram alta de 14% nos preços no primeiro semestre de 2026. “Lisboa virou o porto seguro da Europa para quem foge da instabilidade política”, afirma Miguel Saraiva, analista do banco BPI, em relatório divulgado este mês.

Dubai, por sua vez, atingiu nova máxima histórica. O índice de preços residenciais da consultora Knight Frank subiu 18% no trimestre atual, impulsionado por investidores indianos e russos que veem a cidade como refúgio fiscal. O governo local anunciou na semana passada a isenção de imposto de transferência para propriedades acima de US$ 5 milhões, o que deve aquecer ainda mais o segmento de ultra luxo. A bolha, porém, preocupa analistas: a relação preço-aluguel já supera 40 anos em bairros como Palm Jumeirah.

Já Tóquio surpreendeu com estabilidade. O Banco do Japão manteve a taxa de juros em 0,25% na reunião de 15 de julho, e o mercado imobiliário local registrou alta modesta de 3% no semestre, segundo o Japan Real Estate Institute. “Tóquio não tem a euforia de Dubai nem o pânico de Miami; é um mercado de renda com demanda real”, explica a economista Yuki Tanaka, da Universidade de Waseda. A desvalorização do iene, no entanto, atrai compradores estrangeiros: as vendas para não residentes subiram 40% em junho.

Para o investidor brasileiro, o recado é claro: diversificar com cautela. “Miami está em liquidação, mas pode cair mais. Dubai está caro demais para aluguel. Lisboa e Tóquio oferecem equilíbrio”, avalia Laura Mendes, analista da XP Investimentos, em nota enviada a clientes nesta quinta-feira. A recomendação é evitar alavancagem e priorizar localizações com demanda orgânica, longe de bolhas especulativas.

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