3 FIIs de tijolo que pagaram 140% do CDI em agosto; veja se ainda dá tempo
Levantamento exclusivo com 80 fundos listados na B3 mostra que a rentabilidade veio de aluguéis reajustados e laudos de avaliação. Conheça os destaques e os riscos desta semana.

A semana começou com o Ifix em leve alta de 0,4%, mas por trás do índice há uma história que interessa a quem busca renda: três fundos imobiliários de tijolo distribuíram, em agosto, o equivalente a 140% do CDI. O percentual é bem acima da média do mercado, que ficou em 85% no mês, segundo levantamento da Quantum, com base nos 80 FIIs mais líquidos da B3.
Os campeões da semana, todos com gestão ativa, têm algo em comum: contratos de aluguel atrelados ao IPCA com vencimento apenas em 2028 ou além. É o caso do CSHG Recebíveis Imobiliários (HGCR11), que entregou rendimento de R$ 1,15 por cota em agosto, e do XP Malls (XPML11), que vem surfando a recuperação do varejo físico em shoppings de médio porte no Nordeste.
O que chama a atenção é que, mesmo com a Selic em 13,25% ao ano após a última reunião do Copom, os FIIs de tijolo estão conseguindo repassar a inflação aos inquilinos. No trimestre atual, os contratos reajustados tiveram alta média de 6,8%, puxados por setores como logística e lajes corporativas de alto padrão em São Paulo. Isso explica por que a cota desses fundos subiu, em média, 2,3% nesta semana, enquanto os de papel andaram de lado.
Mas atenção: a euforia não é geral. Dos 24 fundos de shopping listados na B3, 7 ainda têm vacância acima de 15%, reflexo de lojas que fecharam no ciclo passado. A dica dos analistas da Suno Research é olhar o dividend yield dos últimos 12 meses — não o dos últimos 30 dias — para evitar armadilhas. No caso dos três destaques, o DY anualizado fica entre 9,5% e 11,2%, com patrimônio líquido descontado de até 8%.
Para quem quer entrar agora, o momento pede cautela com o prazo de pagamento. O mercado precifica uma queda da Selic apenas no segundo trimestre de 2027, o que pode segurar a valorização das cotas no curto prazo. Ainda assim, com a vacância de imóveis de logística classe A em 8,3% (menor nível em 5 anos), a tese de renda segue robusta.
Se você já tem FIIs na carteira, vale revisar a composição: os especialistas recomendam exposição máxima de 30% em tijolo neste cenário de juros altos. Já quem está de fora pode aproveitar as oscilações desta semana — o Ifix costuma cair levemente após altas fortes — para montar posição aos poucos, priorizando fundos com histórico de dividendos consistentes.
Fique de olho nos próximos dias: a agenda traz a divulgação do IPCA de agosto na quarta-feira e a prévia do IGP-M na sexta, dados que podem mexer com a curva de juros e, consequentemente, com o preço das cotas na B3.


