3 capitais que dispararam 25% no metro quadrado neste trimestre
Enquanto São Paulo patina, cidades médias lideram alta de até 28% no 2º tri de 2026. Veja o ranking completo e o que impulsiona cada uma.

O segundo trimestre de 2026 consolidou uma virada silenciosa no mercado imobiliário brasileiro. Enquanto os holofotes seguem voltados para São Paulo e Rio de Janeiro, foram as capitais de porte médio que puxaram a valorização dos imóveis. Levantamento do Índice FipeZap, divulgado nesta semana, aponta alta nominal de 25,4% no preço médio do metro quadrado em três capitais, contra 2,1% da média nacional no mesmo período.
Os destaques são Fortaleza, Goiânia e Florianópolis. Na capital cearense, o preço médio do m² saltou de R$ 8.450 para R$ 10.580 entre abril e junho, puxado pela expansão do programa Minha Casa, Minha Vida e pelo boom de investimentos em infraestrutura turística. Goiânia registrou crescimento de 26,2%, impulsionado pela chegada de grandes centros de distribuição e pela migração de empresas do agro para a região metropolitana. Já Florianópolis mantém a dianteira absoluta: com R$ 13.200 o m², acumula 28% de valorização no trimestre, reflexo da escassez de terrenos e da demanda por imóveis de alto padrão na região continental.
O que explica tamanha diferença em relação aos grandes centros? Especialistas ouvidos pela reportagem apontam três fatores: a descentralização dos investimentos públicos federais, a migração de empresas de tecnologia para cidades com menor custo operacional e a nova regra do FGTS, que desde maio permite usar até 60% do saldo para entrada em imóveis de até R$ 500 mil. Essa última medida injetou R$ 12 bilhões em novos financiamentos neste trimestre, segundo a Abrainc.
Por outro lado, São Paulo e Rio apresentaram alta modesta de 1,8% e 0,9%, respectivamente, no mesmo período. O mercado de alto padrão nessas capitais sentiu o aperto dos juros: o Copom manteve a Selic em 11,75% ao ano na reunião de junho, o que encarece o crédito para imóveis acima de R$ 1 milhão. Já nas capitais médias, o ticket médio menor e o funding do Minha Casa, Minha Vida mantêm o financiamento atrativo.
Para o investidor, a leitura é clara: o ciclo de valorização não acabou, mas migrou de endereço. Quem comprou um apartamento de 60 m² em Goiânia em janeiro, por R$ 380 mil, viu esse ativo render R$ 96 mil em apenas seis meses — mais de 25%, contra 9% do Ibovespa no mesmo intervalo. Claro, retornos passados não garantem futuro, mas a tendência de interiorização dos preços deve se manter no segundo semestre, com a expectativa de novos cortes na Selic a partir de setembro.
Analistas da Secovi recomendam cautela com modismos: "Cidades que sobem rápido também podem corrigir rápido", alerta o economista-chefe da entidade. A aposta mais segura, segundo ele, é buscar bairros com infraestrutura consolidada e demanda real por moradia, não apenas especulação. No trimestre atual, os bairros que mais valorizaram em Fortaleza foram Meireles e Aldeota, com alta de 19% e 17%, respectivamente.
Ficar de fora dessa onda não é necessariamente um erro, mas ignorar os dados é. O próximo relatório do FipeZap, com dados de julho, sai na segunda semana de agosto e deve confirmar se a alta de Fortaleza segue no mesmo ritmo. Para quem quer posicionar o capital, a janela deste semestre ainda está aberta — mas o mercado já precifica uma nova rodada de aumentos nos preços para o último trimestre.
Fonte: FipeZap, Abrainc, Secovi, Banco Central. Dados referentes ao 2º trimestre de 2026, divulgados em 1º de agosto.


