Cidades-Boom: Onde os Imóveis Mais Valorizaram no Segundo Trimestre de 2026
Levantamento do FipeZap mostra que cidades do Nordeste e do Centro-Oeste lideram a alta de preços no 2T26, com destaque para João Pessoa e Goiânia. O Copom manteve a Selic em 13,75% — e isso mudou o jogo para o investidor.

O segundo trimestre de 2026 chegou ao fim com um ranking surpreendente de valorização imobiliária. Segundo dados do Índice FipeZap de Venda Residencial divulgados nesta quinta-feira (17), João Pessoa (PB) lidera a alta, com impressionantes 5,8% de valorização entre abril e junho. Em seguida, aparecem Goiânia (GO), com 5,2%, e Maceió (AL), com 4,9%. O levantamento considera preços médios por metro quadrado em 50 cidades monitoradas mensalmente.
O que explica esse fenômeno? Para o economista-chefe da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Marcos Nogueira, a migração de teletrabalhadores e aposentados em busca de qualidade de vida impulsiona a demanda em cidades litorâneas do Nordeste. "João Pessoa, por exemplo, combina praias preservadas com custo de vida 25% menor que o de São Paulo", afirmou Nogueira em entrevista ao Perspectiva Imobiliária. Além disso, a infraestrutura de saúde e tecnologia das capitais nordestinas tem atraído investidores do Sudeste.
No Centro-Oeste, Goiânia se beneficia do agronegócio forte e da expansão de condomínios fechados de alto padrão. A Secovi-GO registrou recorde de lançamentos no segundo trimestre: 1.200 unidades, alta de 18% ante o mesmo período de 2025. "O investidor está de olho em cidades com crescimento econômico sólido e menos dependentes do mercado de trabalho formal", explica a analista de mercado da B3, Carla Duarte.
O cenário macroeconômico também favorece os imóveis. Na última reunião do Copom, em junho, a Selic foi mantida em 13,75% ao ano, o que mantém o crédito imobiliário aquecido — cerca de 60% das transações usam financiamento. Segundo a Anbima, os fundos imobiliários voltaram a captar líquido em maio, com R$ 1,2 bilhão, sinalizando apetite por tijolo.
Enquanto isso, grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro tiveram valorização modesta: 0,8% e 1,1%, respectivamente. "O capital está migrando para cidades médias, onde o preço por metro quadrado ainda é baixo e o potencial de alta é maior", afirma o relatório do Secovi-SP divulgado nesta semana. A tendência deve continuar no terceiro trimestre, com a expectativa de novos cortes na Selic a partir de setembro.
Para o investidor que busca diversificação, o recado do trimestre é claro: vale monitorar cidades com forte fluxo migratório, obras de infraestrutura e mercado de trabalho aquecido. João Pessoa, Goiânia e Maceió são os destaques, mas cidades como Vitória (ES) — que subiu 3,8% — e Florianópolis (SC) — 3,5% — também entram no radar.


