Análise

Galpões logísticos batem recorde de absorção no 2º tri de 2026; tese de investimento se fortalece

Com vacância em queda e contratos atrelados ao IPCA, o mercado de galpões logísticos registra o melhor trimestre da história. Entenda por que os fundos imobiliários do setor lideram as recomendações de analistas neste mês.

Redação Perspectiva Imobiliária·
Galpões logísticos batem recorde de absorção no 2º tri de 2026; tese de investimento se fortalece

O mercado de galpões logísticos brasileiro acaba de registrar o melhor trimestre de sua série histórica. Dados divulgados nesta semana pela consultoria SiiLA indicam que a absorção líquida atingiu 1,2 milhão de m² no segundo trimestre de 2026, alta de 34% ante o mesmo período de 2025. O estoque total ultrapassou 42 milhões de m², com vacância de apenas 6,8% — a menor desde o início da série, em 2018.

A tese de investimento em galpões logísticos ganhou força com a combinação de juros reais elevados e demanda aquecida por e-commerce e armazenagem industrial. O Relatório Focus do Banco Central, divulgado na última segunda-feira, mostra que o mercado espera Selic a 14,25% ao ano até o fim de 2026, patamar que favorece a renda fixa, mas também impulsiona os FIIs de tijolo com contratos atrelados ao IPCA. No acumulado do ano, o índice IFIX subiu 5,7%, puxado pelos fundos logísticos, que valorizaram, em média, 9,3%.

No Congresso, a tramitação do PL 4.178/2025, que amplia incentivos fiscais para empreendimentos logísticos em regiões de baixa densidade, deve ser votado na Câmara ainda neste mês. A proposta, segundo o relator, pode reduzir o custo de construção em até 12% para novos galpões. Isso, somado à escassez de terrenos próximos aos grandes centros — como São Paulo, Rio e Belo Horizonte —, deve manter a pressão altista sobre os aluguéis.

O setor industrial também dá sinais de retomada. A Sondagem Industrial da CNI de junho apontou alta de 2,8% na utilização da capacidade instalada em relação a maio, atingindo 81,4%. Esse movimento, impulsionado por novos investimentos em energia renovável e baterias, tem elevado a demanda por galpões pesados, com pés-direitos acima de 12 metros e capacidade de carga no piso. Na B3, três FIIs do segmento (HGLOG11, XPML11 e BRCO11) lideraram as captações líquidas no segundo trimestre, somando R$ 780 milhões.

Do lado dos riscos, o mercado monitora a inflação de materiais de construção, que subiu 7,1% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE. Isso encarece novos projetos e pode limitar a oferta nos próximos semestres. Por outro lado, contratos de locação com indexação ao IPCA garantem a preservação do poder de compra dos cotistas, enquanto a vacância baixa reduz o risco de vacância operacional.

Para o investidor pessoa física, o momento é de seletividade. Analistas consultados pelo Perspectiva Imobiliária recomendam exposição a fundos com concentração em regiões metropolitanas de São Paulo e Rio, onde a taxa de ocupação supera 95%. Fundos que investem em ativos no interior de Goiás e Minas Gerais também ganham destaque, por conta do menor preço de entrada e contratos longos com âncoras do agronegócio e da logística farmacêutica.

A tese de investimento em galpões logísticos e mercado industrial se mantém robusta: demanda estrutural, oferta restrita e proteção inflacionária. Enquanto o Copom mantiver a Selic em patamar contracionista, os FIIs do segmento devem continuar oferecendo dividend yields reais atrativos — hoje na faixa de 8% a 10% ao ano, líquidos de impostos.

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